segunda-feira, 21 de maio de 2012
Conclusão de Domingo
uma das melhores coisa da vida é sonhar com algo
e logo depois se deparar com ele
transformar pensamento em matéria
m a t e r i a l i z a r
sonhar (ou imaginar) algo
e depois ter ele assim na sua frente
dentro, fora
diferente
(o contrário também é verdadeiro
tornar a matéria pensamento, sentimento)
Brincar com o estado das coisas.
percorrer esses caminhos
entre o concreto e o abstrato
materializar é também ser mágico
ou ter poderes sobre-ultra-naturais
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outra conclusion
a artista quando acha que dá uma grande contribuição a humanidade com sua arte, que atingiu um nível superior e patati patata, torna-se imediatamente um chato.
tinham outras mas eu esqueci.
domingo, 13 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
Alien

pode ser:
um negócio que sai da boca em forma de sorriso
ou palpitação
um sopro no coração
um corpo que reverbera em ondas
vontade de nunca ir embora
pés planando a 2 centímetros do chão
(e a cabeça inventando o paraíso)
alegria espontânea que do nada brota,
na manhã seguinte
em forma de riso que não sai da cara
tem gente que chama de paixão
acho que ainda não
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a manhã revela os segredos

quarta-feira, 25 de abril de 2012
Pausa no Edital
tem coisas que só faço quando estou em casa sem você
Como:
1) acender incenso
2) esquecer as luzes todas acesas
3) falar sozinha alto
4) fazer côcô de porta aberta
5) ficar mais de meia hora fazendo a mesma coisa sem ir te agarrar
6) Dormir no sofá
7) mexer no computador escutando música com a TV ligada
8) sentir sua muito, muito a sua falta
terça-feira, 17 de abril de 2012
adeus à ervilha
e fizeram-lhe filhos
se vingam de nós em silêncio
quarta-feira, 11 de abril de 2012
TOMÁNOCÚ
Eu estou ficando louca, mas acho que não estou sozinha. acho. e eu sei quem é o culpado: A CIDADE. Não é culpa minha, eu juro, é impossível um ser que mora numa cidade grande não enlouquecer, ou não ser louco de nascença porque seus pais também moram na cidade. Ontem eu tive vontade de surtar e mandar todo mundo tomarnocú 2 vezes em menos de 4 horas, não foi só vontade, foi NECESSIDADE, foi por um TRIZ. e eu não estava com nenhum problema pessoal aparentemente muito latente. é loucura mesmo. surto de cidadão. Vou contar o motivo, mas eu sei que ele não é nem um pouco grave e nisso consiste e minha loucura:
Eu tinha 10 minutos pra pagar uma conta no Banco do Brasil, na Cinêlandia, sabe esse em frente ao Teatro Municipal? 10 minutos pra não chegar atrasada numa reunião ao lado, no café do Odeon. Bom, pra começar a PORRA DA PORTA GIRATÓRIA. só pra começar. esse inferno. as pessoas ficam ali em fila. já começa um engarrafamento antes de entrar. todo mundo tem esperança que não vai apitar, que não tem tantos objetos metálicos assim em suas bolsas, então tenta, e ai a porta trava. ok. respira. volta... (pense que tem alguem tentando sair. dai engarrafou pra dentro do banco) dai você deposita seus pertences metálicos, passou. Primeira etapa vencida! Vamos pra próxima: o caixa é no segundo andar. subo correndo. cheguei. a fila não tá tão grande, quantos funcionários atendendo? mais de 4, milagre. dai vem a PORRA DA SENHA, tem q pegar senha, onde? onde? Adivinha? No primeiro andar. ANTES DA PORRA DA PORTA GIRATÓRIA! qual o resultado? TOMANOCÚ!!! Reclamei, alterei a voz, desci bufando, mas segurei, não mandei ninguém tomanocú de fato, os funcionários não tem nada a ver com isso.
relaxa, respira. o atendimento até que foi rápido.
pá reunião. ok. no café do Odeon tem um couscous marroquinho bom, tinha que acabar antes das 16hs pra passar no Escritório de Direitos Autorais que é ao lado. não deu pra apressar a reunião. chego 16:10, fechou, não pode subir mais. QUEM INVENTOU ESSA PORRA DE QUE FUNCIONÁRIO PÚBLICO SÓ TRABALHA ATÉ AS 16HS? EU TAMBÉM PAGO O SALÁRIO DELES, EU NÃO CONCORDO! E AI?? RECLAMO PRA QUEM?
Eu aceitei, voltei decepcionada, mas eu tinha atrasado, sabia que fechava as 16 hs, não chegou perto do nível de um tomanocú.
São 16:30. pego o metrô. Já está lotado pra Zona Sul, não tem mais nenhum lugar vago, tem q ir em pé, e apertada. Bufei de novo, que PORRA É ESSA DE METRO SEMPRE LOTADO, PÕE MAIS TREM CARALHO, 16:30 h NEM É HORA DO RUSH AINDA! Mas também não rolou um tomanocú. pensei, me enfezei, queimei uns bons radicais livres com o estresse provocado pelo enfezamento, ou seja, envelheci, mas prossegui. chego na estação General Osório, em Ipanema. Eu paguei o integração Barra, que passa no Vidigal, beleza, pra entrar no Onibus que que rola? Uma fila. Começa a chover. Muito. O que as pessoas fazem? Alguns se dirigem ao ponto de ônibus que é coberto, mas quem tem guarda-chuva prefere ficar na fila e reservar o seu lugar sentado, num trajeto que com certeza vai ter trânsito. Daí o bonde sem guarda-chuva que saiu da fila começa a ficar preocupado, porque gente que chegou depois e TEM guarda-chuva ta indo pra fila - que tá cada vez maior! - e ta ficando na nossa frente nas vagas sentadas! O funcionário do metrô, que também não tem guarda-chuva, por isso tá com a gente debaixo do ponto, fala que o prefeito EDUARDO PAES MANDOU TIRAR 4 ÔNIBUS DA FROTA, porque concluiu que com o corredor expresso não fosse mais necessário, e os ônibus (que o metro ri da nossa cara chamando de Trem na Superfície. é o caralho!) estão sempre lotados!
Resultado: TOMANOCÚ!!!?? Não. Vamos todos pra fila, é melhor, pegamos chuva esperando 30 minutos o "trem da superfície". Olha, graças a Deus tinha um lugar sentado, era um dos últimos, senão eu não me responsabilizava.
A gente não pode nem mais mandar tomanocú porque a pessoa que merece ouvir está longe. TOMANOCÚ O SISTEMA, TOMANOCÚ A CIDADE E TODOS OS SERES MICRÓBIOS QUE SUGAM E SE FARTAM DELA. TOMANOCÚ EU!
Resultado 2: Eu to ficando maluca mesmo, é sério. e o pior, uma maluca explosiva, o que é altamente perigoso. Tem gente que sofre mais. Imagina quem pega o trem de verdade. Hoje eu tive que pegar novamente o metro as 16:30h, que repito, não é ainda hora do rush. era linha 2 pra Del Castilho. o metrô parecia uma lata de sardinha, com salmão, bacalhau, tudo junto proliferando, e as pessoas pareciam resignadas. Eu mesmo já estava mais resignadinha. Imagina isso as 18 hs?
Isso não é estress. eu que não dou conta mesmo, os argumentos são todos fracos, tem gente que sofre beeeem mais, e não tem vontade de mandar ninguém tomanocú. meu espírito é muito frágil pra enfrentar fila, porta giratória, funcionário público, transito, metrô lotado, chuva, fila de novo. Enfim, bobagens.
Um tomanocuzinho leve pra me despedir.
relaxem, é carinho.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
é mentira
nunca houve frase tão absurda, a partir de hoje quando me perguntarem eu vou falar "não vai curar"
melhora, fecha, passa a dor aguda
mas ferida que é ferida não cicatriza.
o tempo não cura
pra fazer osso, nervo, pele, ou alma colar de novo
assim como se nunca tivesse rompido
é que nem vidro
que estilhaça e enfia no pé, corta a ponta do dedo, sangra a pia
mesmo varrendo sempre sobra um caquinho
tem que ser muito imediato
nem barro, até o aço
sempre fica marcado
pode ser muito cuidadoso
enfaixar, não tocar, colocar remédio, conselho, carinho, deixar quietinho,
ou dependendo da ferida deixar respirar, proteger do sol, da poeira, do mal olhado, do inimigo
e mesmo assim fica aquela marquinha.
sempre fica aquela maldita marquinha.
a gente vai virando um ser que torceu o tendão, que interrompeu uma paixão, que deu com a cara na porta de vidro, que entupiu uma veia, que bloqueou um Natal, que nunca fica no presente quando tal música toca, de um que pé entorta quando chega naquela rua, de um nariz que congestiona quando sente cheiro de jasmim, maresia, ou asfalto molhado, que manca de saudade, de um pulso que nunca mais vai plantar bananeira.
se a memória fosse só na cabeça, a gente tava feito.
mas o corpo guarda, guarda todas as marquinhas
mais que guardar, ele procura por elas, e quando as encontra, se apega
o corpo, a alma, a pele, o pulso, o estômago, o nervo, os lóbulos vermelhos
tudo se transforma nelas
nas benditas marquinhas.
O Ziraldo
Eu sempre ouço falar que deveríamos preparar as crianças pro futuro. Eu acho o contrário: devemos preparar as crianças pro presente. Uma criança feliz no presente, vai ser feliz no futuro.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Em janeiro
Aceitar o caos, perceber o caos, transformar o caos
eu, muito acelerada, falo muito sozinha. Pierre me chama de maluca sempre, por causa disso, entre outras cosas, ele diz que falo só em uma quantidade absurda. que quando não falo alto, mexo o lábio, ou seja, penso alto o tempo todo. todo o mistério do meu planeta seria facilmente desvendado por um surdo, pois eles lêem lábios muito bem. Os surdos saberiam mais de mim. Os surdos sabem mais sobre qualquer pessoa. Mas o fato é que falar sozinha me livra de muita coisa, como por exemplo, terapia. Nunca fiz terapia, e meio que acho legal ter conseguido sozinha superar tanta coisa sozinha. Minha terapeuta é o vento que me escuta, eu falo muito pra ele, repito inclusive, ensaio diálogos, brigas, conversas importantes, invento peças, filmes, repito coisas que aconteceram, que eu achei engraçadas ou tristes. e principalmente, digo coisas que eu devia ter dito. Que pena que me dá, tenho vontade de voltar na cena (isso daria uma cena) e dizer tudo aquilo que devia ter dito. O problema é que sou tão, mais tão distraída, que as vezes nem percebo a ofensa que recebi, e só depois quando chego em casa, percebo " iii aquilo foi uma ofensa". Tarde demais, então, desconto, discuto com o vento. Por isso tenho preguiça de contar minhas coisas pra minhas amigas, porque geralmente já contei muito pro vento. Por isso também tenho preguiça de gente que adora contar e contar e repetir pra todos coisas sobre elas mesmas, são chatas porque não falam com o vento. Também serve pra extravasar a quantidade de pensamentos, ideais e julgamentos. sou virginiana, reflito sobre tudo! E percebi o quanto questiono o tempo todo sobre as atitudes que tomei, se foram ou não éticas.
Consigo enxergar o lado do outro como poucos, e acho que isso é um dom.
eu sei defender meu inimigo
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Só aquele que leva o caos dentro de si, pode dar a luz a uma estrela dançarina
Nietzsche
domingo, 23 de outubro de 2011
sábado, 17 de setembro de 2011
Divisa
Antes de dividir águas
Unificar os solos
Diminuir o vão
Transgredir passos
A cada passo
Transpor abismos com pés alados
E depois: Ocupar o novo espaço
Habitar, fazer dele seu lar
Descansar as asas e pisar descalço
No que sempre foi meu
No que sempre foi nosso
é nosso onde o olhar alcança
é nosso onde o sonho aterriza
Sempre foi nosso o que a gente cria
e se o que gente cria é a mais pura
Verdade, então é toda nossa
A realidade
terça-feira, 16 de agosto de 2011
quinta-feira, 30 de junho de 2011
terça-feira, 28 de junho de 2011
Sonhar com alguém é compartilhar algo íntimo

terça-feira, 21 de junho de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
O monstro da transformação
2011, um ano de transformações radicais.
"Egito desafia tanques"
"Governo bloqueia comunicações com internet"
"Toque de recolher decretado em todas as cidades do Egito"
As nações islâmicas rompem o silêncio de 30 anos e clamam liberdade. Ditadores caem, o homem mais procurado do mundo morre. Uma mulher governa nosso país. Entre tantos, tantos outros paradigmas quebrados, tabus dissolvidos. E nós cada um de nós, será que acompanhamos esse ritmo mundial? Será que o coração do revolucionário do Egito é também globalizado, será que pulsa em nossas veias, será que nos comove as famílias inteiras entrando na luta armada em prol da liberdade em seu país? Pais, mães, crianças, sogras. Onde estão as nossas?
O que mudamos? O que rompemos? O que transformamos cada um de nós? A cada dia, a cada minuto? O que? Porque nos calamos? Porque engolimos o que não concordamos? Do que temos medo? Medo de mudar. Mudar dói.
Mubaraki cai. Kadafi cai? Os parlamentares caem? 23 hectares da nossa floresta não precisam ser recuperados?
Nunca deixamos de ser répteis. Nunca deixamos de ser peixe. Nunca deixamos de ser aquele peixe que invadiu a terra e começou a caminhar na luta para sobreviver. Que transformou guelra em pulmão, que aceitou o oxigênio, que criou patas e andou, abandonou cardumes, sereias, abandonou seus pais, e seus filhos. Andou e procriou até chegar em nós. Ele fez o máximo. Aquele peixe que nunca foi peixe, que sempre foi híbrido. Se ele mudou, porque não podemos mudar? Nunca deixamos de ser americanos, egípcios, árabes, kilombolas, pataxós. Nunca deixamos de ser o que fomos e nunca seremos se não transformarmos. A barbárie sempre existiu. Uma guerra beija a outra passando a saliva amarga e nós nunca sabemos o que realmente a causou. Não devíamos acreditar nos livros de História. A História é outra. Qual? Não devíamos acreditar nos livros de biologia: somos répteis: trocamos de pele. Descascar dói. Dói porque nunca mais será a mesma pele, nunca mais seremos os mesmos a cada segundo, uma notícia, um espirro nos transforma então porque temos medo? O novo é um mostro que nos amedronta e nos seduz.
Encararemos o monstro e quem sabe nos casemos com ele.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Astronautas
1.
2. Singularidade é o princípio de tudo.3. O Big Bang é apenas uma hipótese.

5. Os cientistas são como artistas, criam suas teorias.
6. Mas depois a abandonam se essa teoria não se aplicar a realidade.
7. O vazio está cheio de potencialidades, a vida se cria, se desmancha e se recria infinitamente no vazio. o vazio é instável. a vida é instável e capaz de invertar a si própria a partir do nada.
8. Os astronautas comeram ovos, carne e suco de laranja antes de pisar na lua.
9. a madrugada já raiou.
10. O cérebro é mais vasto do que o Universo.
11. O Universo não para de se expandir. As pessoas também estão se afastando?
12. Como eu amo Eisntein!
13. 2 coisas são importantes na vida:
- um mestre, que te proponha questões
- amigos, pessoas a quem você se associa livremente para desvendar os caminhos da vida.
14. Nenhum momento de raciocínio supera um de emoção.
15. O Universo não para de se expandir. As pessoas também estão se afastando?
16. é bonito os aplausos ficarem sozinhos no fim.
fotos: Daniel Roland
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Don Juan
- vamos trepar , ele diz
- trepar talvez não, mas podemos dar uns beijos
entram num dos banheiros.
O tesão é que nem um vírus. Encubado num corpo sem manifestar sintomas. Quieto. O tesão iberna e acorda faminto num outono de aquecimento global. Acredita na inocência. Acredita no destino.
o gosto do beijo, acorda com ela
um sonho erótico também deixa marcas.
sábado, 9 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Ten Chi - céu e terra de Pina Bausch
I can´t ask you all the questions
You can´t give me all the answers
I had witnesses
You had none
I loved
Pra chegar foi turbulento assisti à beira das lágrimas, à beira da boca, dos olhos e dos ouvidos *
é impossivel não pensar no que está acontecendo no Japão.
No que está acontecendo conosco
No que está acontecendo comigo
*
Gosto de observar a platéia quando entro num espetáculo, as moças cariocas andam ansiosas, usam meia-calça mas ainda está calor. Os catálogos e as revistas deixam as meninas apressadas pro inverno que ainda não chegou. Olho tudo. Nesses momentos tenho a impressão que tenho mais talento pra observar do que pra qualquer outra coisa no mundo. Tem um homem que também observa. Não diz nada, nem com a expressão. Não consigo decifrar o que ele está pensando. Ser de alguma forma indecifrável torna uma pessoa imediatamente instigante. Ao meu lado tem um velhinho bem velhinho. eu adoro os velhinhos. Penso 'está a beira da morte'. depois penso 'como todos nós'. ele não está mais próximo da morte do que eu por mais que possa parecer. Saudade da minha vó Rosa. preciso ir a Bahia.

Os dançarinos são os artistas que tem a relação mais livre com o próprio corpo. e com o corpo do outro. Por isso eu os considero revolucionários. No século 21 ainda não temos liberdade com o nosso corpo nem com o corpo do outro. Teatro pode ser muito chato, mas quando ele acontece, ninguém pode mais roubar esse momento de nós.

'quando não há mais o que dizer é porque chegou o momento de dançar' Pina Bausch
sexta-feira, 11 de março de 2011
damage
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Um lugar pra voltar
domingo, 30 de janeiro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
2 mil Elevem!
eu sei que é apenas mais um dia, como todos os outros. dizem os céticos. eu tentei ser cética. mas no fundo eu sou mística então chega de tentar dissimular e disfarçar. Nenhum dia é igual ao outro. eu curto Ano Novo. gosto dessa coisa de acabar e começar. live and let die, reza a tatuagem na cintura da Cléo Pires. sendo verdadeira ou photoshop da Playboy, eu acredito na cintura da Cléo Pires. Manda o calendário Gregoriano: nesse único dia, tudo fica pra trás e diante do próximo segundo, tempos nunca dantes navegados. que alívio. todo dia pode ser acabar. todo dia pode ser começar. mas um dia em todos acreditam que pode acabar e começar naquele minuto, naquele segundo paff!!!
nota-se: hoje a maioria dos humanos comemora Ano Novo.
os humanos são curiosos. se vingam até das criaturas invisíveis. se vingam do tempo.
os dias são as rugas do tempo.
Amo ano ímpar. nasci em ano ímpar. Copacabana estava linda. eu mais sobria do que nunca. confesso que tive medo. ele me convenceu. encarei com amor esse clichê carioca, aquele mar de gente de branco. de Oxalá, de Iemanjá no altar. fui da Van! e fiquei lá mesmo onde ela me deixou, feliz, na Francisco Sá. eu e ele.
a gente se ama e a gente se basta. ter alguém. ser de alguém. no fundo é isso, ou então é ao contrário, a gente é que se doa. mas isso não vem ao (a)caso.
*
Ah os FOGOS!! Como é linda a explosão. Dá uma emoção, aquelas luzes explodindo. e as cores pipocando. a alma explode junto. e a gente fica assim, olhando maravilhado
*
Saquarema 2008/2009. a praia de Vilatour era nossa. A gente descobriu a MELHOR COISA DO MUNDO. correr com os fogos! é assim: quando explodir você corre, corre, corre junto com a explosão. parece que a gente explode também correndo e espraiando o estilhaço brilhante. depois você vai cair cansado na areia e vai rir aquele riso de criança que fez aventura, aquele riso bobo que não sabe bem porque mas que se entende a felicidade.
***
quando eu tinha 12 anos a melhor coisa no mundo era pular do sofá, na hora exata do 3,2,1,0 e comer uma uva. e fazer um desejo . eu nao me lembro o que eu desejava naquela época. não consigo lembrar de nenhum desejo. acho que eu queria que o Marcos gostasse de mim.
****
na viranda eles colocaram música clássica. ficou bonito. épico. teve uma hora que rolou samba com clássico
*****
fomos eu e ele. sem avisar ninguém. fomos. como no fundo somos. eu e ele. sou par
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Shopping Nova América
caído na passarela que leva a um shopping
não sei caído de que
se caído de desmaio, de sono, de morte ou de cansaço
o menino é negro
mas eu não preciso dizer que o menino é negro
meninos caídos na passarela são quase todos negros
as pessoas passam pelo menino
e pulam o menino caído no meio do seu caminho
eu não
eu paro diante do menino
quero tocá-lo pra ver se lhe resta vida
pra ver se resta vida em mim
suficiente para tocar no menino caído
me aproximo e sinto a respiração mansa
e corro em direção ao segurança
falo que tem um menino caído
ele diz que não trabalha na passarela
que trabalha no shopping no fim dela
que ligou pros bombeiros
o menino caído espera transparente
quase sem vida
em meio a centenas de transeuntes
pelos bombeiros
o menino caído e os transeuntes são o mesmo
falta vida também aos transeuntes
que pulam o menino caído e vão ao shopping fazer compras de Natal
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
eu vou te dar carona
eu ligo o rádio
depois eu ligo o carro e vou
te levar não sei
pra onde, a gente vai ouvir caetano cantando joker
man, a gente vai falar mal
de umas 136 pessoas e levar algumas multas
talvez, eu prometo adrenalina
no caminho eu paro de repente eu pego contra-mãos eu vou
te dar carona baby, sempre, a gente vai ser
feliz, depois de chegar na sua casa
eu sou boazinha, eu mudo meu caminho
pra te dar carona eu te deixo
aonde você quiser só pra parar em frente ao seu prédio e gargalhar
até a barriga doer
só pra lembrar da sua gargalhada com seu dentinho que eu lembro perfeitamente
agora e do formato da sua boca
quando você ri
eu pego carona na sua risada
..
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
O amor é uma doença como outra qualquer
Ferreira Gullar
o texto todo é sublime
http://sonhoepopular.blogspot.com/2009/08/sobre-o-amor-ferreira-gullar-houve-uma.html
domingo, 24 de outubro de 2010
devaneios de domingo
Estou lendo Os diários de Susan Sontag. Letícia tinha razão. faz tempos que não leio um livro com tanto prazer. esse prazer de ler em qualquer brecha, no intervalo do ensaio, no ponto do ônibus, de levar na bolsa pra qualquer intervalo. como é bom ver a vida, fragmentada, e sincera de uma mulher interessante. e 'QUE MULHER'. ela me inspira. inclusive a retomar minhas anotações diárias. e colocar datas, pelo menos de vez em quando. os números também falam. me lembrei de quando era pré-adolescente, a internet ainda não era acessível e tinhamos costume de fazer diários e muitos vinham com cadeados (fofíssimos). hoje o blog não deixa de ser um diário, mas ele não é privado e isso muda tudo. tem coisas que tenho medo de confessar até para um diário. as piores coisas. as melhores coisas. ser completamente franca ao ponto de cravar isso num papel exige coragem. é preciso ter coragem.
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tenho um cíume egoista das coisas que mais gosto. como livros. tenho ciúmes das coisas que não são minhas.
ridícula.
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ele disse que já beijou todas -todas, todas - as partes do meu corpo
ele tem o mapa do meu corpo em sua boca
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falar sobre o filme e o cinema
sobre as eleições
sobre desejos
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escrever: O elogio ao inimigo
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13.10
ouvir: Julie London
conseguir: ler Ulisses
meditar
ver: O filme do Joy Division
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o mais difícil de todas as decisões é ROMPER
ROMPER
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16.10.2010
pintei as unhas de lilás, que cor linda, depois pintei de laranja. não pinto as unhas sempre. gosto delas curtas e nuas. mas quando faço fico hipnotizada olhando pras mãos o tempo todo. olho pra elas fazendo tudo, pegando algo na prateleira, abrindo a maçaneta. parecem mãos alheias. lindas e alheias
domingo 17
Praia. eu e Pi. a primavera é a melhor época do ano: sol gostoso, flores explodindo e poucos turistas. encontramos J e N no caminho, pegamos carona. eles tinham uma prancha de surf no carro. obaa! no caminho eles acenderam um. isso me lembrou meus 17 anos quando tudo na vida era ir pra praia surfar e sempre no caminho acendiam um. vários litorais. leblon, reserva, joatinga, grupari, floripa, garopaba, guarda, rosa, olivença, san diego, trestles, arpoador. hoje arpoador. por do sol sentado na prancha. vida de golfinho. hoje ponho a ganga na areia (quem diria) como se tivesse nascido fazendo isso. a vida pode ser bela e a felicidade chega quando a gente se distrai.
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atração. funciona.
" a próxima fronteira não é o espaço e sim a mente"
oh bruta flor do querer. oh bruta flor, bruta flor !
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fase boa. muitos sonhos. abro o olho antes da hora definitiva de acordar e lembro absolutamente tudo que sonhei. tudo. fecho o olho, durmo o paraíso em 10 minutos. tenho 20 mil imagens - não chamo mais isso de sonho - que são mais uma mistura de devaneios com ressaca moral - sim sou virginiana - não lembro mais de NADA! sonhos esquecidos.
'você está me convidando, menina quer brincar de amar' (tocando agora)
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sempre soube, desde a época que estudei nos EUA que os indianos eram bons em matemática. ontem vendo tv as 4:48 da manhã - insone a essa altura da vida - descobri que eles inventaram os algarismos decimais. primeiro do 1 ao 9. depois faltava um número para que eles pudessem avançar. descobriram: o zero. centenas de anos depois os ocidentais chegaram ao zero e proclamaram a sua autoria. depois de inventarem todo o sistema decimal os indianos avançaram na trigonometria, entendendo a relação matemática entre os ângulos do triangulo e o comprimento do seus lados. como a lua, o sol e a terra formam um triângulo eles conseguiram calcular a distância da lua pro sol, do sol pra terra. formularam as primeiras equações com duas incógnitas, x e y. os indianos não usavam os números apenas para contar coisas, panos e vacas. eles tinham uma visão abstrata dos números. o que possibilitou os indianos avançarem tanto na matemática foi o poder da ABSTRAÇÃO.
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eu só penso nisso
eu só quero isso
isso me lembrou um poema que escrevi quando tinha 18 anos. nessa época eu só queria uma coisa, hoje eu quero outra. meu querer evoluiu, penso eu. mas de qualquer forma
eu só penso nisso
eu só quero isso
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domingo, 24
ele disse que me visto que nem uma maluca, que faço misturas sem nexo. tudo bem. tem alguma coerência em uma pessoa incoerente e maluca se vestir de forma incoerente e maluca. ok. estou no caminho certo. no meu lugar. no way out.
Banal
1) aparece um homem com o pé amputado. ele usa uma botinha ortopédica. não tem todo o pé amputado, só a metade, não tem os dedos mas tem calcanhar. usa meias sob a botinha. tem uns 40 anos e é mulato. não parece triste, está concentrado em andar usando a muleta. Será que foi recente? diabetes? acidente? má circulação? os pés acusam coisas que se passam aparentemente longe deles. No outro pé, usa um tênis novo, novíssimo, de marca. isso me chama atenção, sinto um misto de pena e orgulho, tem uma coisa de bem cuidada nesse homem com um pé amputado e o outro pé com um calçado super legal. fiquei compadecida com essa cena. e pensei: o que será que ele faz com o outro par do tenis?
2) tem uma mulher querendo embarracar por causa do atraso no atendimento. é mais do que absurdo, é obseno. você vai na Caixa ou no Banco do Brasil e não marca mais nada até as 4 da tarde, ok? reserva o dia pra isso, para ir na Caixa. Eu sempre quero embarracar nesssas ocasiões. mas hoje não quero. e por um único motivo, eu não estou atrasada. o atraso faz loucuras com o ser humano.
3) fui atendida. a gerente é fofa. faz o tipo bem bofinho, se veste de forma sóbria, calça preta meio larga, blusa preta de manga comprida, com algo de cor escura por dentro. nenhum pedaço de pele a mostra no corpo. cabelo curtíssimo. nenhuma maquiagem. mas ela tem a voz tão doce, e um jeito tão meigo que cria uma contradição naquele visual. a meiguice é o auge da feminilidade. ela tem o auge da feminino no auge na falta dele. ela sentada de frente pro computador eu do outro lado a observo enquanto ela trabalha. percebo como é descobrir alguém. não presto tanta atenção ao que ela fala, mas sim no contorno do seus traços, nos olhos grandes e a sobrancelha fina e natural com pelos fora do contorno (raro hoje em dia). vou mapeando seu rosto. ela tem lábios carnudos, sensuais e um sorriso infantil, com dentes pequenos e gengivinha aparecendo. mais uma contradição. ela me lembra alguém. parece da mesma família. eu saio fazendo laços familiares na rua, porque acho os traços de uma pessoa muito parecidos com os de outras. tive vontade de perguntar. a gente descobre alguém assim. mapeando os poros. a gente conhece alguém assim, pedaço por pedaço.
domingo, 17 de outubro de 2010
Manual para pousar cangas
- Nao peça ajuda pra ninguem
- não se importe em estar de frente para o sol
- é melhor ficar de frente para o mar
- faça travesseiro de areia se preferir (não tenho feito)
- perceba a direção do vento
- dê as costas para ele
- segure a canga com as duas mãos
- observe seu vôo por alguns segundos. ela voa em suas mãos
- vá abaixando aos poucos
- toque o solo devagar
- até que ela encoste toda a sua extensão na areia
- forme pequenos morrinhos, se aconchegue no solo quentinho
- aprecie com moderação
terça-feira, 5 de outubro de 2010
domingo, 3 de outubro de 2010
Eleições Inocentes
resolvi ir a pé. com tempo, distâncias toleráveis, sempre prefiro ir a pé. do Vidigal ao Leblon é agradável. dia eleitoral tem uma atmosfera quase festiva. é um pouco estranho.
triste caminho. a rua principal do Vidigal é praticamente um aterro sanitário de tanto papel, cartaz , gente com camisa de partido distribuindo santinho pros desinformados, pros ignorantes, pros inocentes. Boca de Urna. Uma boca a mais, uma boca a menos realmente não faz diferença, não é mesmo?
Encontrei um conhecido na descida, ele parece feliz. ele é inocente e por isso é bonito. Pergunto:
- em quem você vai votar?
- Crivella.
eu recuo (foi impulso, juro) e pergunto:
- voce é evangélico?
- sim (sorrindo).
prossigo a minha caminhada. nessas horas eu lembro que não vou mudar mundo numa resposta. tenho complexo de heroína e por isso essa constatação é sempre dolorida. continuo.
continuo.
'Júlio Lopes 1111', colado por TODA a Avenida Niemeyer. os candidatos tem números fáceis! vou ter que fazer força pra esquecer esse número. é estratégico no Brasil, país de burros, analfabetos e preguiçosos se multiplicando. chega na urna e não sabe em quem votar, lembra, 1111! pronto solução fácil!
desespera-dor.
Não posso cobrar muito de quem não recebeu quase nada. mas tem gente - com a sacola cheia de presentes - que diz "eu vou votar nulo" em ar de protestinho pequeno burguês, e não sabe citar 3 deputados. Eu só respeito quem vota nulo com conhecimento-extra-de-causa, senão eu digo PREGUIÇOSO.
chego no Leblon. nossa, é o paraíso, não fosse o cheiro de esgoto. meus amigos surfam. o mar está bom. está podre mas nenhum de nós pega micose pois temos anticorpos pro côcô dos moradores de Leblon, do Vidigal e até dos gringos do Sherathon que despeja esgoto in natura na Prainha. Mas eu acho mesmo que o côcô do Jardim Pernambuco não causa micose. Por isso praia e surf no posto 12 são pra poucos. Boca de urna no Vidigal é pra muitos. No Leblon não tem boca de urna. as ruas estão limpas. as lojas estão abertas. é feriado!
Votei. Não tenho ídolos na política. A melhor opção reside em 'o menos pior'. Mas mesmo assim tenho esperança. eu sou inocente e por isso sou bonita. as pessoas descrentes - sempre e com tudo, tudo é uma merda, blablabla - são até engraçadas se tiverem a sorte de ter humor sádico - o que é pra poucos - e têm um ar inteligente - mas eu costumo achar elas feias.
Caminhei com meus pais. foi muito bom. comemos, conversamos e olhamos coisas fúteis no shopping. em nenhum momento lembrei de quando era criança. sempre andei com padrastos e madrastas, essa cena não me soa familiar. foi interessante. voltei pra casa. tenho um humor sádico e pareço inteligente, mas ainda sim não sou descrente. a minha geração me decepciona, não como um todo, mas em grande parte. a minha classe social me decepciona muito mais. O poder está na mão de mauricinhos irresponsáveis e ex-pobres deslumbrados. eles fizeram aliança. não apenas o poder político. Quase todos os poderes. quase
eu acredito na revolução.
Não a revolução das massas, nem das classes, nem da política, muito menos das armas. Mas existe uma revolução, ela faz um sonzinho que chega na minha casa. Sou jovem e posso acreditar nisso tudo sem a menor culpa. A pior coisa é um jovem-velho descrente e feio, passeando por ai com ar de inteligente. eu me igualo aos inocentes, aos pobres inocentes, primeiro para me tornar bela.
eu acredito na beleza, por isso acredito na revolução.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
sábado, 25 de setembro de 2010
diários
agora é tela e teclado. é diário compartilhado.
nasci no meio.
peguei o diário com cadeadinho (coisa mais fofa) e agora, época que até as mamães e as crianças tem blog.
cresci no meio.
no meio das épocas divisoras de águas.
hoje eu to antiga. queria ser dessas escritoras que deixam cadernos e escritos inacabados.
não sou escritora. mas deixo cadernos, papeizinhos, guardanapos e escritos inacabados. é apenas uma fantasia.
ok. parei.
vou escrever
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
run lola run
quero correr pra escrever. minha cabeça anda cheia de coisas, de frases soltas que se juntam, desjuntam e se perdem, e esse é meu desespero. eu preciso escrever. outro dia, só outro dia, percebi sozinha (ohh!) (ja tinha aprendido isso, mas tinha esquecido) que a gente pensa com palavras. isso fez essas com que elas ganhassem um estatus ainda maior no ranking das coisas que eu amo. a gente vê um rapaz bonito na rua e pensa "nossa, que gato" mas a gente não pensa isso numa língua invisível. a gente pensa em p.a.l.a.v.r.a.s, em português (respectivamente). será mesmo? Mas agora me ocorreu uma coisa, como uma pessoa que nunca aprendeu língua nenhuma pensa? como ela chega a conclusão de que o rapaz é bonito. Não não pode ser, a gente não pensa em palavras então. eu sei que essa questão seria mas fácil de resolver no google, mas eu estou com preguiça de pesquizar e fingir que sou uma pessoa inteligente sempre. eu ignoro questões banais. eu cometo erros de portugues horriveis (como voces podem ver). porque também nao quero me consultar no "world" all the time. e acho até legal, porque eu gosto muito mais de z do que de s quando o som é de z. e acho até interessante tambem fazer essa filosofia louca pra pensar e repensar uma coisa que a ciência com certeza já sabe há muito tempo e era só abrir outra aba pra descobrir. não quero descobrir. quero correr pra escrever.
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terça-feira, 7 de setembro de 2010
Bairro Alto
numa caixinha, quero embrulha-lo pra presente
e me presentear de novo e novo e presentear a todos
cravar
no peito ou na pedra
algo melhor do que a mémoria
que guarda tão mal
e tão bem porque produz saudade
mas esquece tambem, deixa fraca, deixa longe
e a gente perde o que é plenitude
eu estou PLENA
e minha vida nao é perfeita
mas estou radiante e quero cravar isso em algum material tão efemero
quando esse sentimento
como um papel, ou mais ainda, uma tela virtual
algo que se iguale
a fragilidade dessa sensação
e ao medo que ela acabe
quero guardar
pra sempre
esse momento de absoluta felicidade
terça-feira, 31 de agosto de 2010
eu quase toquei meu sonho
domingo, 22 de agosto de 2010
Oração do dia 23
Os pequenos burgueses. Maximo Gorki
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
sobre como descompletar
quarta-feira, 7 de julho de 2010
teatro
para transcender uma sala, um palco, um apartamento, uma praça num lugar
sagrado e profano que transforma
humanos em Deuses
a mutação da mutação
conecta pensamentos
sonha junto
trabalha junto
constrói e destrói egos
a união e a solidão absoluta
num momento de ausência de utopias e movimentos coletivos
sonhar e imaginar junto é uma revolução
humana arte do vivo da vida
projeta, percebe, recebe, improvisa, vivencia
doa
a dor
ilumina o som, o corpo, a voz, a emoção, a verdade, a mentira, a merda e a música é
saber que
quando você vê a luz
ela tambem vê você
quarta-feira, 30 de junho de 2010
estética do possuir
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domingo, 20 de junho de 2010
F.
vejo esse homem caminhar na minha frente
ele tem 55 anos e sua vida é nova, completamente nova
sobe a escada, sai do degrau que sempre esteve e sobe
para a sua vida, para sua casa
que a agora é sua, tem seu cheiro, seus objetos antigos misturados
com novos, seus cds, vinhos, quadros da Margaret Mee, roupas jogadas,
livros por toda parte, jornais no banheiro
Sua vida depois de tanto tempo é sua
e sua casa depois de tanto tempo
pode ser nossa
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Não me peça coerência

Tem coisas que acho que já resolvi, mas meus sonhos e devaneios a meio-sono juram que não. meu inconsciente gosta desse estado de quase dormindo, quase acordado e vem me sussurrar segredos que eu jurava já ter esquecido. tenho tido sonhos intranquilos. eu simplesmente não dou conta. de tudo, da vida. minha família, meus amigos, meus irmãos, meu pai. já estou virando aquela velhinha sentimental antes dos 30? eu assumo, eu simplesmente não dou conta.
quando a gente não fala sobre uma coisa é como se ela não existisse. a palavra cria e mata paralelamente", alguém disse. já eu ando pensando ao contrário. quando a gente não fala sobre uma coisa é como se ela existisse em dobro. essas histórias vão se multiplicando nas cabeças, e a imaginação que é o grande trunfo vira a armadilha do homem.
tinha alguma outra coisa que queria escrever e agora não lembro.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
pequena homenagem ao grande Tichý
quarta-feira, 21 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
the hall of mirrors
Insônia. taquicardia. sinto como se alguma coisa estivesse explodindo dentro de mim. por fora, tudo parado, 2 da manhã, calminho até demais. Tem alguma coisa que está para chegar. eu espero. mas não espero parada, embora quem me veja pense que eu esteja. tenho certeza. eu sei que meu coração está, ao contrário do meu corpo, taquicardíaco, espontaneamente, apressado demais, ansioso. tenho vontade de rolar no chão, de nadar pelada na lama, qualquer coisa extravagante e louca que dê vazão as minhas fantasias e, se possível, extrapole a minha imaginação. o inimaginavél me suga como um imã, e eu nem ao menos sei para onde estou indo com tanta vontade. acabei de escrever um texto sobre o mesmo tema faz 2 minutos e já não é mais o mesmo. a vida passa porque a cada segundo realmente tudo já mudou completamente. e mesmo assim eu repito meus erros. estou ficando velha. tem uma ruguinha que começou aos 21, aparecendo exporadicamente e agora ela não quer me largar. será que tudo isso também começou aos 21? será que essa ruguinha já não estava lá há muito tempo esperando meu cansaço aparecer? suponho que sim. mas de qualquer forma decidi que vou comemorar o aparecimento de cada uma, e agradecer. porque a final eu pretendo vivenciar a transformação do meu corpo e do mundo enquanto valer a pena. enquanto eu aguentar.
(esse final ainda nao ficou bom...)
na radiola: the hall of mirrors, Kraftwerk
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
diálogo espacial
talvez fosse isso que eu precisava. de uma conversa nada mais.
de um diálogo.
com esse espaço.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
domingo, 24 de maio de 2009
Incompletos
O que falta é um pedaço de terra
do tamanho de 2 pés que seja
para cada homem plantar uma muda
-mesmo que ela tenha vida curta-
pelo menos uma vez na vida
nem que seja
no meio de uma seca
regada com sua tristeza
,
terça-feira, 14 de abril de 2009
pré-requisito básico para
terei eu essa solidão necessária?
um minuto dela, por favor, eu imploro
terça-feira, 31 de março de 2009
terça-feira, 3 de março de 2009
domingo, 1 de março de 2009
simplesmente
humildade
h u m i l d a d e
h u m i l d a d e
h u mil da de
h um i l dade
destrincho essa palavra mil vezes
não para compreendê-la, não para estudá-la
mas para absorvê-la mil vezes
hum mil vezes
para mantreá-la
como um monge contemporâneo
bebendo wisky e fumando cigarro
como um anjo decaído
em frente ao computador
repetindo
humildade
humildade
humildade
humildade
humildade
humildade
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Pra todo mundo ouvir!
Quando em teu colo deitei a cabeça, meu camarada
A confissão que fiz eu reafirmo
O que te disse a céu aberto eu reafirmo: sei bem que sou inquieto
E que deixo os outros também assim, eu sei que minhas palavras são
Armas carregadas de perigo e de morte
Pois eu enfrento a paz e a segurança
E as leis mais enraizadas, para desenraizar,
E por me haverem todos rejeitado, mas resoluto sou
Do que jamais poderia chegar a ser se todos me aceitassem
Eu não respeito e nunca respeitei
Experiências, conveniências, nem maiorias, nem o ridículo
E a ameaça do que chamam de inferno para mim nada é, ou muito pouco,
Meu camarada querido eu confesso que te incitei a ir em frente comigo
E ainda o incito sem a mínima idéia de qual venha a ser o nosso destino
Ou se vamos sair vitoriosos
Ou totalmente sufocados e vencidos
WALT WHITMAN
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Outro dia, estava numa sala, e todos olhavam uma cena, eu comia um biscoito, ninguém percebia, dentro de mim ele parecia uma demolição, eu mastigava e um estrondo implodia em meu corpo. As pessos olhavam a cena, e eu olhava as pessoas. Minha cena era a platéia.
Eu estou em busca do meu segredo, que esqueci de me contar, por vergonha, ou medo.
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